Este blog é um espaço para divulgação de projetos, compartilhamento de materiais didáticos, de práticas pedagógicas, de sites, cursos e dicas de leitura para professores e estudantes. Além de ser um cantinho para publicação de conteúdos relacionados ao trabalho desenvolvido nas aulas de Língua Portuguesa pela professora Fran.
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terça-feira, 15 de março de 2011
Aprenda a confeccionar um Fantoche Mosquito da Dengue
Francisca P. Martins é professora de Língua Portuguesa e atua há 29 anos na educação pública da rede municipal de São José dos Campos/SP. Formada em Letras e Pedagogia, especialista em Leitura e Produção de Textos, em Mídias Digitais Interativas e em Design Instrucional. Recentemente, defendeu sua dissertação com o tema "Mentoria: uma estratégia para a formação de professores iniciantes da área de Língua Portuguesa", para banca do Mestrado Profissional em Educação na Universidade de Taubaté - UNITAU e concluiu pela Universidade Estadual Paulista, "Júlio de Mesquita Filho", o curso Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido. Ama o seu trabalho em sala de aula, pois acredita que somente uma educação inovadora e de qualidade seja capaz de formar indivíduos capazes de gerarem resultados e impactos positivos no mundo.
O Funk da Dengue do Bem
Francisca P. Martins é professora de Língua Portuguesa e atua há 29 anos na educação pública da rede municipal de São José dos Campos/SP. Formada em Letras e Pedagogia, especialista em Leitura e Produção de Textos, em Mídias Digitais Interativas e em Design Instrucional. Recentemente, defendeu sua dissertação com o tema "Mentoria: uma estratégia para a formação de professores iniciantes da área de Língua Portuguesa", para banca do Mestrado Profissional em Educação na Universidade de Taubaté - UNITAU e concluiu pela Universidade Estadual Paulista, "Júlio de Mesquita Filho", o curso Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido. Ama o seu trabalho em sala de aula, pois acredita que somente uma educação inovadora e de qualidade seja capaz de formar indivíduos capazes de gerarem resultados e impactos positivos no mundo.
Turma da Monica Contra a Dengue
Francisca P. Martins é professora de Língua Portuguesa e atua há 29 anos na educação pública da rede municipal de São José dos Campos/SP. Formada em Letras e Pedagogia, especialista em Leitura e Produção de Textos, em Mídias Digitais Interativas e em Design Instrucional. Recentemente, defendeu sua dissertação com o tema "Mentoria: uma estratégia para a formação de professores iniciantes da área de Língua Portuguesa", para banca do Mestrado Profissional em Educação na Universidade de Taubaté - UNITAU e concluiu pela Universidade Estadual Paulista, "Júlio de Mesquita Filho", o curso Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido. Ama o seu trabalho em sala de aula, pois acredita que somente uma educação inovadora e de qualidade seja capaz de formar indivíduos capazes de gerarem resultados e impactos positivos no mundo.
SELEÇÃO DE CONTOS BRASILEIROS
— Como é o negócio?
De cada três dá certo com uma. Ela sorri, não responde ou é uma promessa a recusa:
— Deus me livre, não! Hoje não...
Abílio interpelou a velha:
— Como é o negócio?
Ela concordou e, o que foi melhor, a filha também aceitou o trato.
Com a dona Julietinha foi assim. Ele se chegou:
-- Como é o negócio?
Ela sorriu, olhinho baixo. Abílio espreitou o cometa partir. Manhã cedinho saltou a cerca. Sinal combinado, duas batidas na porta da cozinha. A dona saiu para o quintal, cuidadosa de não acordar os filhos. Ele trazia a capa de viagem, estendida na grama orvalhada.
O vizinho espionou os dois, aprendeu o sinal. Decidiu imitar a proeza. No crepúsculo, pum-pum, duas pancadas fortes na porta. O marido em viagem, mas não era dia do Abílio. Desconfiada, a moça surgiu à janela e o vizinho repetiu:
— Como é o negócio?
Diante da recusa, ele ameaçou:
— Então você quer o velho e não quer o moço? Olhe que eu conto!
— Espere um pouco — atalhou Julietinha. — Já volto.
Abriu a janela, despejou água quente na mão do negro, que fugiu aos pulos.
A moça foi ao boteco. Referiu tudo ao velho Abílio, mão na cabeça:
— Barbaridade, ô neguinho safado!
O vizinho não contou e o cometa nada descobriu. Mas o velho Abílio teve medo. Nunca mais se encontrou com Julietinha, cada dia mais bonita.
Textos extraídos do livro "Mistérios de Curitiba, Editora Record - Rio de Janeiro - 1979, págs. 73 e 103.
Francisca P. Martins é professora de Língua Portuguesa e atua há 29 anos na educação pública da rede municipal de São José dos Campos/SP. Formada em Letras e Pedagogia, especialista em Leitura e Produção de Textos, em Mídias Digitais Interativas e em Design Instrucional. Recentemente, defendeu sua dissertação com o tema "Mentoria: uma estratégia para a formação de professores iniciantes da área de Língua Portuguesa", para banca do Mestrado Profissional em Educação na Universidade de Taubaté - UNITAU e concluiu pela Universidade Estadual Paulista, "Júlio de Mesquita Filho", o curso Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido. Ama o seu trabalho em sala de aula, pois acredita que somente uma educação inovadora e de qualidade seja capaz de formar indivíduos capazes de gerarem resultados e impactos positivos no mundo.
Apelo
Dalton Trevisan
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
Francisca P. Martins é professora de Língua Portuguesa e atua há 29 anos na educação pública da rede municipal de São José dos Campos/SP. Formada em Letras e Pedagogia, especialista em Leitura e Produção de Textos, em Mídias Digitais Interativas e em Design Instrucional. Recentemente, defendeu sua dissertação com o tema "Mentoria: uma estratégia para a formação de professores iniciantes da área de Língua Portuguesa", para banca do Mestrado Profissional em Educação na Universidade de Taubaté - UNITAU e concluiu pela Universidade Estadual Paulista, "Júlio de Mesquita Filho", o curso Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido. Ama o seu trabalho em sala de aula, pois acredita que somente uma educação inovadora e de qualidade seja capaz de formar indivíduos capazes de gerarem resultados e impactos positivos no mundo.
Uma Vela para Dario
Dalton Trevisan
Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque.
Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da boca.
Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado á parede - não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.
Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse um gesto para espantá-las.
Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delicias da noite. Dario ficou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.
Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade.
Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo — os bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio quando vivo - só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.
A última boca repetiu — Ele morreu, ele morreu. A gente começou a se dispersar. Dario levara duas horas para morrer, ninguém acreditou que estivesse no fim. Agora, aos que podiam vê-lo, tinha todo o ar de um defunto.
Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não pôde fechar os olhos nem a boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto e a multidão se espalhou, as mesas do café ficaram vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.
Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade e apagou-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.
Texto extraído do livro "Vinte Contos Menores", Editora Record – Rio de Janeiro, 1979, pág. 20.
Este texto faz parte dos 100 melhores contos brasileiros do século, seleção de Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva
Francisca P. Martins é professora de Língua Portuguesa e atua há 29 anos na educação pública da rede municipal de São José dos Campos/SP. Formada em Letras e Pedagogia, especialista em Leitura e Produção de Textos, em Mídias Digitais Interativas e em Design Instrucional. Recentemente, defendeu sua dissertação com o tema "Mentoria: uma estratégia para a formação de professores iniciantes da área de Língua Portuguesa", para banca do Mestrado Profissional em Educação na Universidade de Taubaté - UNITAU e concluiu pela Universidade Estadual Paulista, "Júlio de Mesquita Filho", o curso Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido. Ama o seu trabalho em sala de aula, pois acredita que somente uma educação inovadora e de qualidade seja capaz de formar indivíduos capazes de gerarem resultados e impactos positivos no mundo.
Uma idéia toda azul
Marina Colasanti
Um dia o rei teve uma idéia. Era a primeira da vida toda e, tão maravilhado ficou com aquela idéia azul, que não quis saber de contar aos ministros. Desceu com ela para o jardim, correu com ela nos gramados, brincou com ela de esconder entre outros pensamentos, encontrando-a sempre com alegria, linda idéia dele toda azul.
Brincaram até o rei adormecer encostado numa árvore.
Foi acordar tateando a coroa e procurando a idéia, para perceber o perigo. Sozinha no seu sono, solta e tão bonita, a idéia poderia ter chamado a atenção de alguém. Bastaria esse alguém pegá-la e levá-la. É tão fácil roubar uma idéia! Quem jamais saberia que já tinha dono?
Com a idéia escondida debaixo do manto, o rei voltou para o castelo. Esperou a noite. Quando todos os olhos se fecharam, ele saiu dos seus aposentos, atravessou salões, desceu escadas, subiu degraus, até chegar ao corredor das salas do tempo. Portas fechadas e o silêncio. Que sala escolher?
Diante de cada porta o rei parava, pensava e seguia adiante. Até chegar à sala do sono. Abriu. Na sala acolchoada, os pés do rei afundavam até o tornozelo, o olhar se embaraçava em gases, cortinas e véus pendurados como teias. Sala de quase escuro, sempre igual. O rei deitou a idéia adormecida na cama de marfim, baixou o cortinado, saiu e trancou a porta.
A chave prendeu no pescoço em grossa corrente. E nunca mais mexeu nela.
O tempo correu seus anos. Idéias o rei não teve mais, nem sentiu falta, tão ocupado estava em governar. Envelhecia sem perceber, diante dos educados espelhos reais que mentiam a verdade. Apenas sentia-se mais triste e mais só, sem que nunca mais tivesse tido vontade de brincar nos jardins.
Só os ministros viam a velhice do rei. Quando a cabeça ficou toda branca, disseram-lhe que já podia descansar, e o libertaram do manto.
Posta a coroa sobre a almofada, o rei logo levou a mão à corrente.
Ninguém mais se ocupa de mim – dizia, atravessando salões, descendo escadas a caminho da sala do tempo. Ninguém mais me olha – dizia. Agora, posso buscar minha linda idéia e guardá-la só para mim.
Abriu a porta, levantou o cortinado.
Na cama de marfim, a idéia dormia azul como naquele dia.
Como naquele dia, jovem, tão jovem, uma idéia menina. E linda. Mas o rei não era mais o rei daquele dia. Entre ele e a idéia estava todo o tempo passado lá fora, o tempo todo parado na sala do sono. Seus olhos não viam na idéia a mesma graça. Brincar não queria, nem rir. Que fazer com ela? Nunca mais saberiam estar juntos como naquele dia.
Sentado na beira da cama o rei chorou suas duas últimas lágrimas, as que tinha guardado para a maior tristeza.
Depois, baixou o cortinado e, deixando a idéia adormecida, fechou para sempre a porta.
Moral: idéia não é para ficar adormecida, mas para ser realizada, sob pena de se perder.
(Extraído da obra de mesmo nome, Editora Global)
Francisca P. Martins é professora de Língua Portuguesa e atua há 29 anos na educação pública da rede municipal de São José dos Campos/SP. Formada em Letras e Pedagogia, especialista em Leitura e Produção de Textos, em Mídias Digitais Interativas e em Design Instrucional. Recentemente, defendeu sua dissertação com o tema "Mentoria: uma estratégia para a formação de professores iniciantes da área de Língua Portuguesa", para banca do Mestrado Profissional em Educação na Universidade de Taubaté - UNITAU e concluiu pela Universidade Estadual Paulista, "Júlio de Mesquita Filho", o curso Educação 5.0: Metodologias Ativas e Ensino Híbrido. Ama o seu trabalho em sala de aula, pois acredita que somente uma educação inovadora e de qualidade seja capaz de formar indivíduos capazes de gerarem resultados e impactos positivos no mundo.
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