quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Contribuições de Henri Wallon à Educação

A Psicogénese da Pessoa Completa, como é conhecida a teoria do estudioso francês Henri Wallon,  é um importante subsídio para o aprimoramento da Educação, porque rompe com a dicotomia entre afetividade e cognição e oferece fundamentos suficientes para um repensar da prática pedagógica.
A teoria de Wallon apresentou uma visão não fragmentada do indivíduo, que é entendido sob quatro diferentes pontos de vista: do motor, da afetividade, da inteligência e do ponto de vista de sua relação com o meio. A base de sua teoria é a integração afetiva-cognitiva-motora. Para o teórico, a dimensão afetiva está completamente integrada aos demais aspectos do indivíduo e a afetividade é fundamental para a construção do conhecimento do indivíduo. (ALMEIDA e MAHONEY, 2007)
O ser humano é visto como um ser social, que constrói o conhecimento na relação com o outro: aluno-professor, professor-aluno, aluno-aluno e aluno-objeto. Assim, se dá o conhecimento no contexto escolar e nessa interação com o outro surgem os sentimentos, as emoções; enfim, os aspectos afetivos que compõem o funcionamento psíquico do ser humano.
O afeto, como parte integrante do processo educativo, é responsável pela qualidade das relações pessoais e pela produtividade em sala de aula. Dependendo do tipo de relação estabelecida entre os protagonistas, a sala de aula será um ambiente gerador de alegria, entusiasmo, segurança, cooperação e amizade ou gerador de angústias, estresse, ansiedade, insegurança e individualismo.
De acordo com Rossini (2001), a afetividade é a base da vida. Se uma pessoa não está bem afetivamente, sua ação como ser social estará comprometida. No caso do aluno, se ele não se encontra bem afetivamente, não haverá aprendizado. Por isso, a escola, antes de ser um espaço para produzir conhecimento, deve constituir-se num espaço afetivo, no qual crianças, adolescentes e profissionais da educação sintam-se felizes e gratos por fazer parte da vida um do outro.
 Wallon trouxe grandes contribuições para formação dos educadores quando  ensinou, por exemplo, que é preciso buscar na escola o equilíbrio entre razão e emoção para que as tensões que permeiam as relações em sala de aula possam contribuir para a formação, o amadurecimento e a efetivação da aprendizagem.
 Se na escola professor e aluno não possuem um vínculo afetivo, não dialogam, se um não observa o gesto e o olhar do outro, não há atividade emocional nesse ambiente. Que sentido o aluno dará ao objeto de conhecimento, se a qualidade da relação com seu professor é ruim?
Moreno (2000:13), citado por Giancaterino (2007), faz uma crítica aos conteúdos tradicionalmente desenvolvidos nas escolas que não contemplam todos os conhecimentos e vivências necessárias para uma pessoa se desenvolver autonomamente. Tudo o que concerne aos sentimentos, aos afetos e às relações interpessoais, isto é, àqueles conhecimentos que continuamente usamos em nossas relações com os demais, parece não merecer nenhum tipo de estudo, sendo excluídos e deixados nas mãos do acaso.
Felizmente, há especialistas como a psicóloga Valéria Amorim Arantes, doutora em Psicologia pela Universidade de Barcelona e professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, que defendem o estudo sistematizado dos afetos e sentimentos, no cotidiano escolar, como objetos de conhecimento. Para ela, valores e atitudes precisam ser aprendidos e devem ser ensinados na escola; por isso propõe que os conteúdos relacionados à vida pessoal e à vida privada das pessoas sejam inseridos de maneira transversal e interdisciplinar nos conteúdos tradicionalmente desenvolvidos nas escolas por meio de projetos. Segundo a autora, é preciso aproximar o sistema educacional da vida das pessoas.

Desta forma, seria possível a aplicação das teorias de Wallon à Educação;   possibilitaria transformar emoções negativas (desânimo, ansiedade, solidão, agressividade, ira, culpa e timidez), que se manifestam em conflitos frequentes nas salas de aula, em emoções positivas (bem-estar, satisfação com a vida, felicidade, alegria, otimismo, esperança, sabedoria, amor e perdão). Por isso, trabalhar temas como valores na escola é essencial para promover o pleno desenvolvimento e, principalmente, o constante autodesenvolvimento de alunos e professores, que se tornarão capazes de enfrentar e transformar conflitos em ações construtivas. 

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