sábado, 17 de abril de 2010

ABORTO!

Aborto!

(Por: Marcos Woyames de Albuquerque)




Ei! Você!
Me ajude a entender!
Ninguém me perguntou, ou me deu direito de escolha,
Simplesmente num ato de conjunção,
Por amor ou por invasão,
a mim, me deram concepção.

Ninguém me perguntou, ou me deu o direito de escolha,
Mas eu estava ali.
Meu corpo, meu ser, meu espírito,

Tudo se preparando para uma nova vida.
Passei a crer e sonhar.
Passei a viver e imaginar.


O que de mim seria?
Alguém de bem, que o bem faria.
Alguém de bem, que de alguém o bem seria.


Vir à luz.
Ser luz.
Distribuir luz.

Ter vida.
Viver a vida
Distribuir vida.
Ser um ser.


Há no entanto uma verdade.
Niguém me perguntou, ou me deu direito de escolha,
Optaram por mim, optaram em meu lugar.


Não me permitiram meu corpo,
não me permitiram meu ser,
de mim apenas um espírito,
que não soube o que é viver.


Minha vida não foi preparada,
Meus sonhos não pude viver.
Jamais pude imaginar
o que viriam comigo a fazer.

Não me foi permitido vir à luz.
Não pude ser luz.
Não distribuí luz.

Não me foi permitida a vida.
Não me foi permitido vir a viver.
Não poderei distribuir vida.



Ninguém me perguntou, ou me deu direito de escolha,
Optaram por mim, optaram em meu lugar.
Decidiram, antes de me dar a vida, me matar.
Não me permitiram ser!
Optaram por não me dar lugar!


Fonte:http://www.erus.kit.net/poesias/aborto.htm



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