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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Vale a pena ler mais uma crônica de Fernando Sabino. Leia e descubra qual o tema abordado.

MENINO DE RUA
Fernando Sabino

Eram dez e meia da noite e eu ia saindo de casa quando o menino me abordou. Por um instante pensei que pedia dinheiro. Cheguei a lhe estender uma nota de dez cruzeiros, ele pareceu surpreendido mas aceitou. Usava uma camisa velha e esburacada do Botafogo, o calção deixava à mostra as perninhas finas que mal se sustinham nos pés descalços. Era moreno, com aquela tonalidade encardida que a pobreza tem. Segurava uma pequena caixa de papelão já meio desmantelada.
- Que é mesmo que você pediu? Não foi dinheiro?
- Uma coberta.
- Uma coberta? Para quê?
- Pra eu dormir.
Realmente estava frio, mas onde ele queria que eu arranjasse uma coberta? O jeito era voltar em casa, descobrir uma coberta velha, trazer para ele. Foi o que fiz: apanhei uma colcha já usada mas ainda de serventia e lhe trouxe. Ele aceitou com naturalidade, sem me olhar nos olhos. Não parecia ter mais de nove anos, mas me disse que já tinha treze.
- Onde é que você dorme?
- Num lugar ali – e fez um gesto vago para os lados da praça General Osório.
- Dorme sempre na rua? Não tem casa?
- Tenho.
- Onde?
- Em Austin.
- Onde fica isso? É longe daqui?
- Não é não. Fica no Estado do Rio.
- Por que você não vai pra casa?
Ele mordeu o lábio inferior, calado um instante, mas acabou respondendo:
- Mamãe me expulsou.
- Por quê? Alguma você andou fazendo.
- Não fiz nada não – reagiu ele, de súbito veemente: - Minha irmã é nervosa, quebrou o vidro da televisão e disse que fui ei. Então minha mãe me expulsou.
- Quando foi isso?
- Tem quase três anos.
- Três anos? E você nunca mais voltou?
- Voltei não.
- Como é que você viveu esse tempo todo? Que é que você come?
- Peço resto de comida.
- Pra que serve esse papelão?
- Pra cobrir o chão de dormir.
- Você tem algum amigo?
- Não gosto de amigo não, que amigo faz trapalhada e a gente é que acaba preso.
O nome dele era Carlos Henrique.
- Volta pra casa, Carlos Henrique.
E fiz uma pequena pregação: mãe é sempre mãe, ela devia estar sentindo falta dele. Melhor em casa que ficar por aí na rua, sem ter onde dormir. A mãe trabalhava em Nova Iguaçu, ele me havia dito, devia viver da mão pra boca, mas ainda era pra ele a melhor solução. Não tinha nem nunca teve pai.
- Você sabe ir até lá?
- Sei. Tomo o ônibus até a Central e lá pego o trem até Austin.
- Então vai mesmo, heim?
Ele prometeu ir assim que o dia clareasse. Para isso dei-lhe mais algum dinheiro e ele se afastou, com sua colcha e seus pedaços de papelão, esgueirando-se pelos cantos como um ratinho.

Não acredito que tenha ido. Certamente continuará rolando por aí mesmo, mais dia menos dia transformado em pivete, se exercitando na prática de pequenos furtos, em que, pelo jeito, ainda não se iniciou. E se por acaso voltarmos a nos encontrar daqui a uns poucos anos, não me resta nem a esperança de que me reconheça e não me mate – pois seguramente, e com justas razões, já estará transformado em assaltante. (SABINO, 1995, p.31-34).

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Estrutura da Notícia




1º Parágrafo - LEAD da notícia: Resume fato que será noticiado. Neste parágrafo, devem ser dadas respostas às perguntas: quem?, o quê?, onde? e quando?
Exemplo:


A menor, Cenira Alvarenga, 10, foi resgatada, na tarde de ontem, de uma mansão no bairro Mangueirão, em Belém, onde era obrigada a realizar serviços domésticos.


2º Parágrafo - Como? Neste parágrafo, deve-se apresentar a explicação para o leitor de como a menina foi resgatada. Exemplo:


A vizinha da patroa de Cenira cansada de ouvir os choros da menina durante a noite, resolveu na tarde de sexta-feira, pôr um fim aos atos de violência de exploração contra a pobre menina, fazendo uma denúncia ao Conselho Tutelar da cidade.


3º Parágrafo - Por quê? Nesse parágrafo, devem-se explicar os motivos que levaram a menina a trabalhar na mansão.


Depois de uma conversa com a garota Cenira, o conselheiro, Raul Pedroso, 39, descobriu que a menina foi trabalhar na mansão, com a promessa de um futuro melhor na capital, que incluía a oportunidade de ir à escola, mas nenhuma promessa foi cumprida pela patroa.


4º Parágrafo: Complemento - Não é obrigatório, apenas completa com informações extras, que nem sempre aparecem numa notícia.


A menina ainda relatou que trabalhava, desde os oito anos,  cumpria a pesada jornada de trabalho diário das 6h da manhã à meia-noite e era impedida de visitar a família.



Procure ler a notícia na íntegra abaixo e perceber os elementos e a estrutura que compõe uma NOTÍCIA.

MODELO DE NOTÍCIA


EXPLORAÇÃO DE MENOR CHEGA AO FIM EM BELÉM


LEAD A menor, Cenira Alvarenga, 10, foi resgatada, na tarde de ontem, de uma mansão no bairro Mangueirão, em Belém, onde era obrigada a realizar serviços domésticos. Sua patroa foi encaminhada à polícia e responderá a processo judicial.


COMO? A vizinha da patroa de Cenira cansada de ouvir os choros da menina durante a noite, resolveu na tarde de sexta-feira, pôr um fim aos atos de violência e de exploração contra a pobre menina, fazendo uma denúncia ao Conselho Tutelar da cidade.


POR QUÊ? Depois de uma conversa com a garota Cenira, o conselheiro, Raul Pedroso, 39, descobriu que a menina foi trabalhar na mansão, com a promessa de um futuro melhor na capital, que incluía a oportunidade de ir à escola, mas nenhuma promessa foi cumprida pela patroa.


A menina ainda relatou que trabalhava, desde os oito anos,  cumpria a pesada jornada de trabalho diário das 6h da manhã a meia-noite e era impedida de visitar a família.

(Texto produzido para fins didáticos pela professora Francisca P.Martins)

domingo, 8 de novembro de 2015

Plano de Aula - Crônica

O que é uma crônica?

A crônica é um gênero literário produzido essencialmente para ser vinculado na imprensa, seja nas páginas de uma revista, seja de um jornal.

Principais características:

  • É um texto curto, que se concentra em um único fato, algo do cotidiano, pode ser um problema social ou um acontecimento banal.
  • Seu tema é ligo à vida cotidiana(um problema social, relações entre as pessoas, fatos corriqueiros, banais, extraídos dos acontecimentos do dia a dia, por mais irrelevante que ele seja.
  • Possui poucos personagens,  apenas aqueles que estarão envolvidos no fato principal que você vai contar.
  • Tem um tempo cronológico curto, isto é, tudo se passa rápido, em um dia, ou menos que isso.
  • Espaço (lugar) reduzido, muitas vezes os fatos se passam num único espaço;
  • Linguagem coloquial na fala das personagens;
  • Pode ter caráter humorístico, crítico, satírico e/ou irônico.
O cronista busca emocionar e envolver o leitor, levando-o a refletir sobre problemas sociais sérios que afetam a sociedade.


Alguns cronistas brasileiros: Fernando Sabino, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Ernesto Baggio, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Max Gehringer, Moacyr Scliar, Pedro Bial, Arnaldo Jabor, dentre outros.

Leia a crônica de Fernando Sabino:




A última crônica 

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. 

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome. 

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. 

O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim. 

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. 

Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/NTE2Njky/



MODELO PARA PRODUÇÃO DO PLANEJAMENTO DO TEXTO NARRATIVO 

GÊNERO CRÔNICA

TEMA: Exploração do trabalho infantil doméstico.

Personagens principais: Cenira (a menina), a patroa e o procurador do Ministério Público do Trabalho.
                   secundários: os pais e os irmãos da Cenira e a vizinha da patroa.

Enredo: A crônica conta a história de Cenira, que, aos 10 anos, saiu do interior do Pará e foi para Belém, com a promessa de um futuro melhor, que incluía estudos na capital. Mas, ao contrário disso, a menina desembarcou do ônibus numa cidade onde não conhecia ninguém foi direto para a casa onde trabalharia, moraria e aprenderia as duras lições da rotina diária de uma empregada doméstica, que trabalhava das 6 horas da manhã até a meia noite, de segunda a domingo.

Narrador:  narrador-observador ( x  )      narrador-personagem  (    )

Tempo: Numa tarde de sexta-feira.

Espaço (lugar em que acontecerá a história): A rodoviária, a casa da patroa de Cenira e o abrigo para crianças.

Aprenda sobre os direitos da Criança e do Adolescente brincando.


Você conhece os Direitos das Crianças? Que tal jogar um game que ensina sobre os seus direitos?

Acesse o link abaixo e  aprenda de uma forma bem divertida sobre os Direitos da Criança e do Adolescente.

A Escola de Games preparou para você um Game sobre o Direito da Criança, clique no link e divirta-se.




As pesquisas deste final de semana também me levaram a um Game desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em cooperação com a Procuradoria do Trabalho de Campina Grande e pesquisadores do Curso Superior de Tecnologia em Jogos Digitais da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (Facisa). 
O Game explora diferentes cenários de exploração do trabalho infantil e seu objetivo é a sensibilização e o engajamento das pessoas (crianças, adolescentes e adultos) na luta contra o trabalho infantil.

Clique no link abaixo, jogue e ajude de forma lúdica a tirar as crianças da situação de exploração.


Clique no link para jogar:




sábado, 7 de novembro de 2015

Trabalho Infantil Ontem e Hoje



Vídeo revela a verdadeira história da exploração do trabalho infantil em nosso país.
Assista, comente e dê sua sugestão para combatermos a exploração infantil. Ajude-nos a erradicar a exploração de crianças e adolescentes no Brasil. 


                                  Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=YhTydGNtmSA



Lembre-se: Podemos promover mudanças com nossas ideias:


          


O Direito à Educação, assegurado por lei, mas desrespeitado por muitos!



Malala Yousafzai defendeu o direito à Educação para as meninas do Paquistão e foi baleada, em 2012, pelos homens do Talibã. 

Conheça sua história e o que significa o direito à Educação para uma garota que defendeu com a própria vida o direito de ir à escola:









Clique no link abaixo e confira imagens e dados sobre a situação da exploração da criança no Brasil e no mundo:

Fatos e imagens da exploração do trabalho infantil

Conheça a história de MALALA, a garota paquistanesa que defende a Educação no Paquistão





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