sábado, 24 de abril de 2010

Jovens da África do Sul

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008


Jovens africanos fogem da marginalidade através dança e música

Terça, 12 de Fevereiro 2008



Os jovens de origem africana que moram no Bairro da Arrentela, Seixal, têm fracas expectativas em relação ao futuro, mas encontraram na dança e na música uma forma de fugirem à marginalidade e conseguirem a integração na sociedade.
A Associação Khapaz, formada há cerca de seis anos pelos próprios jovens africanos, que aprendem e desenvolvem o hip-hop, uma forma de estar e de viver que ajuda a ultrapassar os problemas familiares, o desemprego, a baixa escolaridade e a discriminação, segundo afirmou Nuno Santos, um dos dirigentes da colectividade.
A Associação Khapaz, a única existente no bairro, acolhe desde quarta-feira e até hoje uma equipa do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas no âmbito do projecto "ACIME junto das comunidades", acção que se insere numa política de maior proximidade com as comunidades imigrantes.
Nuno Santos explicou que os jovens tentam ocupar os tempos livres passando os dias na associação a aprenderem e a desenvolverem a dança, a música e até expressão plástica.
Além dos espectáculos frequentes para toda a comunidade, a associação tem já um grupo de jovens que faz voluntariado nas prisões da região de Setúbal e de Lisboa, onde leva o estilo hip-hop.
No Bairro da Arrentela vivem cerca de quatro mil pessoas, entre os quais cidadãos portugueses, de etnia cigana e de origem africana, três comunidades diferentes, mas que têm o mesmo problema de exclusão social.
Nuno Santos sublinhou que os jovens, que ocupam uma parcela importante no bairro, têm "fraca expectativa em relação ao futuro", abandonam a escola muito cedo e não têm emprego.
"O insucesso escolar deve-se muitas vezes à mentalidade dos próprios professores", disse, adiantando que "a escola não consegue abordar as diferentes culturas".
Através do Programa Escolhas 2ª Geração, a Associação Khapaz vai à procura dos jovens nas escolas e incentiva-os a prosseguir os estudos, dá formação cívica e ajuda os adolescentes a terem um projecto de vida.
No entanto e à semelhança de outros jovens de origem africana, também os rapazes e raparigas do Bairro da Arrentela debatem-se com o problema da ilegalidade.
"Já nasceram em Portugal, mas por desconhecimento dos pais nunca foram legalizados", afirmou Nuno Santos, salientando que a esperança deste jovens está na lei da Nacionalidade que em breve vai ser aprovada pela Assembleia da República e que vai permitir que se tornem portugueses.
"Estarem na ilegalidade cria problemas de auto estima. Estes jovens têm tido dificuldades no acesso à educação, desporto e trabalho", lamentou.
Sobre a iniciativa do ACIME, o dirigente associativo congratulou-se com a acção que "ajudou a reforçar os laços com a comunidade local".
"A associação estava prestes a ser desalojada por falta de pagamento das rendas, mas graças a esta iniciativa a autarquia vai garantir o pagamento", frisou.
O alto-comissário, Rui Marques, destacou o trabalho que a Associação Khapaz tem feito com os jovens de origem africana do bairro, que se debatem com problemas de desigualdade.
De acordo com Rui Marques, estes jovens têm "uma ausência de esperança no horizonte" devido à falta de emprego, ao abandono escolar e ao facto das suas famílias não estarem estruturadas.
"Os jovens desta associação têm feito um óptimo trabalho. Eles próprios tentam resolver os problemas e têm sido os protagonistas das soluções", disse.
Ao contrário da maioria dos bairros onde moram africanos, onde o problema básico é a habitação, na Arrentela as pessoas vivem em apartamentos relativamente recentes.
Apesar de não se colocar o problema da habitação, a exclusão social e as dificuldades de integração são uma evidência no bairro, referiu o alto-comissário.
"A habitação é um passo importante, mas o problema da exclusão não fica resolvido", sustentou.
Ao longo de três dias, a equipa do ACIME contactou e ouviu as comunidades imigrantes residentes da Arrentela e reuniu com as instituições locais, públicas e privadas que lhes dão apoio no sentido de conhecer as dificuldades e encontrar soluções.
A próxima iniciativa do projecto "ACIME junto das comunidades" deverá realizar-se em Abril num bairro do concelho da Amadora.
A primeira acção do ACIME no âmbito deste projecto realizou-se em Novembro na Quinta do Mocho e na Quinta da Serra, no Prior Velho.
A iniciativa tem também como objectivo desmistificar junto da sociedade portuguesa os preconceitos que existem em relação a estes bairros, dando a conhecer a vida e as preocupações.

Agência LUSA

2006-02-10 18:10:51

Fonte:http://journalsurlamarginalite.blogs.sapo.pt/3686.html







publicado por BAAM às 10:29

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